Rio e solo são contaminados e abastecimento de água é interrompido em comunidade rural após caminhão com agrotóxico tombar no Paraná
13/06/2026
(Foto: Reprodução) Máquinas começam escavação para retirar veneno tóxico do solo e de rio no Sudoeste
O tombamento de um caminhão carregado com agrotóxico provocou a contaminação de um rio e deixou moradores sem abastecimento de água na região de Enéas Marques, no Sudoeste do Paraná. O acidente aconteceu na quinta-feira (12), na PR-180, entre Francisco Beltrão e Dois Vizinhos.
As cerca de 120 famílias que vivem na comunidade Vista Alegre estão recebendo água diariameente através de um caminhão pipa disponibilizado pela prefeitura. Segundo a Associação de Água, uma vez por dia um caminhão pipa vai abastecer a caixa d'água da comunidade.
O poço artesiano que abastecia os moradores ficará isolado por cerca de 15 dias, até sair o resultado da análise da água. Além disso, a associação informou que seguirá realizando análises pelo menos uma vez na semana pelos próximos seis meses.
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Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), cerca de 800 litros de fipronil, um inseticida considerado altamente tóxico, vazaram após o tombamento do veículo. Com as fortes chuvas registradas ao longo de quinta-feira e durante a madrugada de sexta-feira (12), o produto se espalhou e acabou atingindo o Rio Lajeado Grande.
O instituto informou que acompanha o caso e, além de vistorias, será feito exame laboratorial da água para dimensionar a gravidade do acidente. De acordo com o órgão, os responsáveis responderão de acordo com a legislação em vigor.
Agrotóxico contaminou rio e solo da região
RPC Foz do Iguaçu
Durante a madrugada de sexta-feira, uma das estruturas de contenção montadas para impedir o avanço do agrotóxico rompeu, permitindo que o inseticida chegasse ao curso d'água. O rio nasce nas proximidades do local do acidente.
O impacto atingiu diretamente moradores da região. Segundo apuração da RPC, afiliada da TV Globo, uma produtora rural precisou impedir que o gado consumisse água do rio e registrou boletim de ocorrência relatando prejuízos na propriedade.
Também naa sexta-feira, equipes especializadas iniciaram a retirada do solo contaminado às margens da rodovia. Máquinas foram usadas para escavar áreas atingidas pelo produto e evitar que a contaminação avance ainda mais.
O acidente
O caminhão transportava fipronil do Rio Grande do Sul para entregas nos municípios de Dois Vizinhos e Palotina. Após o acidente, uma empresa especializada foi contratada para recolher o produto e realizar a descontaminação da área.
Ainda na quinta-feira (11), dia do acidente, equipes recolheram galões espalhados pela pista e aplicaram produtos para conter o vazamento.
No entanto, segundo informações apuradas pela RPC, o primeiro caminhão destinado à sucção do inseticida acumulado nas bacias de contenção chegou apenas durante a noite e não conseguiu retirar todo o material. Um segundo equipamento só chegou na manhã seguinte, quando parte do produto havia alcançado o rio.
Questionado sobre a responsabilidade pela contenção do produto, o IAT informou que cargas desse tipo devem possuir cobertura securitária para situações de emergência.
"Todas essas cargas precisam ser seguradas justamente para casos como esse. Quando acontece um acidente, a empresa aciona o seguro, que toma as providências necessárias, como contenção e limpeza. O IAT fiscaliza e, caso seja comprovado dano ambiental, aplica as penalidades cabíveis", informou o órgão.
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A empresa responsável pelo transporte, Transnecher Comércio de Transportes, afirmou que a carga estava regular e que acionou imediatamente a seguradora, equipes técnicas especializadas e os órgãos competentes após o acidente.
Em nota, a transportadora informou que as ações de resposta começaram logo após a ocorrência, mas que a complexidade da situação exigiu reforço operacional vindo de outra base. A empresa também destacou que as fortes chuvas dificultaram os trabalhos de contenção.
A Prefeitura de Enéas Marques informou que auxiliou na construção de barreiras e lagoas de contenção, mas ressaltou que o controle da ocorrência está sendo conduzido por equipes técnicas especializadas, com acompanhamento do IAT e da Defesa Civil.
A Polícia Rodoviária Estadual informou que a PR-180 está liberada nos dois sentidos. Apesar disso, equipes continuam trabalhando no local e podem realizar bloqueios parciais em alguns momentos por meio do sistema pare e siga.
Técnicos do Instituto Água e Terra seguem monitorando os impactos ambientais causados pela contaminação do Rio Lajeado Grande.
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